30 abril 2014

Liga dos Campeões 2013/14: Real Madrid goleia o Bayern de Munique, fora de casa, e classifica-se para a final da competição

Não foi fácil, mas o Real Madrid fez parecer ser. Com um baile tático e físico, o time espanhol, de Cristiano Ronaldo e companhia, mostrou frieza diante do "inferno" prometido pelo adversário e fez o Bayern de Munique comer poeira. Os comandados de Guardiola foram inferiores durante toda a partida, e não conseguiram frear os merengues, que aplicaram uma histórica goleada por 4 a 0, na Allianz Arena, e vão à final da Liga dos Campeões da Europa pela primeira vez após 12 anos, em busca do sonhado décimo título da competição.

O clima de inferno, prometido pela torcida e diretoria do Bayern, estava lá, desde o começo. Foram 67.500 vozes gritando a plenos pulmões para apoiar o time alemão. Mas foram necessários apenas 19 minutos para três homens aparecerem com um gigantesco balde de água fria, apagarem o fogo e calarem o estádio.

Os três algozes do Bayern foram Sergio Ramos, que marcou de cabeça os dois primeiros gols da partida e se vingou do goleiro Neuer, após ter sido zombado pelo alemão, quando perdeu um pênalti na eliminação de dois anos atrás; o técnico Carlo Ancelotti, destruidor no duelo tático com Guardiola; e, claro, Cristiano Ronaldo.

O português fechou a goleada: no primeiro tempo, marcou em rápido contra-ataque e celebrou mais um recorde em sua carreira com a alegria de uma criança que acabava de ganhar um presente que buscava há muito tempo. Dançando com as mãos espalmadas e movendo uma delas, para somar 15, Ronaldo gritou ao mundo que é o maior artilheiro da história em uma só edição da Liga dos Campeões, superando o rival argentino Messi, do Barcelona, e o brasileiro Mazzola, autores de 14. Aos 44 minutos da etapa final, brilhou de novo e aumentou a marca: em uma cobrança de falta genial, bateu por baixo da barreira, à la Ronaldinho Gaúcho e definiu a goleada. São 16 gols em 10 jogos nesta temporada da Champions.

A atuação do Bayern de Munique foi constrangedora. O atual campeão da Liga foi um time inofensivo e apagado durante quase todo o jogo. Guardiola não conseguiu fazer os ajustes necessários para tornar seu time mais agressivo que na partida de ida.

Do outro lado, Ancelotti melhorou sua equipe, que desta vez não foi submissa. Taticamente, continuou explorando somente os contra-ataques, mas melhorou a marcação. Mérito do italiano, que soube usar a principal característica de Guardiola contra o espanhol. O Real Madrid marcou só no ataque e na defesa e deu todo espaço do mundo ao meio do Bayern. Dali, não saiu nada, porque o time pouco chuta de fora da área, e assim ficou mais fácil ao Madrid reduzir os espaços mais perto do gol.

Nesta quarta-feira, o Real conhece seu adversário do dia 24 de maio, quando será disputada a final da Liga dos Campeões, em Lisboa. Chelsea e Atlético de Madrid se enfrentam no estádio Stamford Bridge, na Inglaterra, a partir de 15h45 (de Brasília), para definir quem será o segundo finalista. A primeira partida entre os dois times terminou empatada em 0 a 0.

REAL MADRID DECIDE EM 19 MINUTOS

O Real Madrid mostrou desde o começou que seria necessário muito mais do que somente barulho para fazer o time espanhol se intimidar. O Bayern, que precisava ser mais agressivo e objetivo, não conseguiu nada disso e não ameaçou o gol de Casillas nos primeiros minutos. Pelo contrário, levou sufoco. Bale quase fez um golaço de longe após saída infantil de Neuer da área, que tentou afastar a bola e tirou mal de cabeça, jogando nos pés do galês na intermediária.

O clima da semifinal esquentou ainda mais quando Ribéry dividiu bola no ataque com Carvajal, pediu falta, não ganhou, e peitou o português Pepe. O bate-boca foi rápido, mas o suficiente para incendiar as arquibancadas, que gritavam o nome do francês. A raiva de Ribéry, pedida por Guardiola na véspera do jogo, estava ali, mas foi canalizada do jeito errado. Sobrou depois para Carvajal, vítima de um tapa do melhor jogador da Europa na temporada passada, eleito pela Uefa. Enquanto isso, o Real Madrid continuava mandando no jogo. Com muito espaço, o ataque merengue conseguiu sobressair. Di Maria quase abriu o placar aos 12, mas chutou por cima do gol.

Foi em um contra-ataque de pura imaturidade da zaga do Bayern que o Real Madrid conseguiu abrir o placar. Ronaldo deu de calcanhar para Di Maria, que inverteu o jogo para Benzema, e deixou a defesa adversária perdida. O francês conseguiu dominar e dar mais um toque na bola antes de Dante aparecer para cortar para escanteio. Na cobrança de Modric, Sergio Ramos saltou alto para cabecear sozinho e com força, para o fundo das redes.

O mesmo Sergio Ramos fez o segundo gol e, com apenas 19 minutos de jogo, despejou um balde de água fria gigante em todo o estádio, capaz de apagar o fogo no 'inferno'. O zagueiro decretou o silêncio quando cabeceou mais uma para o fundo das redes, após cobrança de falta de Di Maria pela direita.

E o Bayern? Depois de um começo ruim, os dois gols enfraqueceram ainda mais o time. Seriam necessários, no mínimo, quatro gols para avançar à final. Mas a raiva e a vontade não foram transformadas em futebol. Os bávaros não criaram uma chance relevante de gol na primeira etapa. Absolutamente nada capaz de assustar o adversário. Impressionante para um time dono da força que tem, e jogando em casa. Mais uma vez, foram só passes de lado, cruzamentos mal feitos e tentativas de dribles frustradas.

O terceiro gol do Real Madrid foi uma aula de contra-ataque, que Guardiola assistiu sentado no banco de reservas. O semblante do técnico era de quem parecia não acreditar quando, aos 33 minutos, mais uma vez, os atacantes do Real Madrid fizeram os defensores do Bayern comerem poeira, e Bale só rolou para Cristiano Ronaldo, na cara de Neuer, marcar seu 15º gol nesta Liga dos Campeões, tornando-se o maior artilheiro da história em uma só edição da competição.

BAYERN NÃO REAGE, E CRISTIANO RONALDO FECHA O CAIXÃO

O Bayern melhorou no segundo tempo. Muito também porque o próprio Real, que já tinha 4 a 0 no placar agregado, naturalmente, relaxou um pouco. Mesmo assim, não foi o suficiente para fazer um gol de honra sequer. Os alemães não souberam aproveitar as poucas chances que criaram.

A troca do centroavante Mandzukic pelo volante Javi Martinez deixou a equipe mais solta. Logo aos sete minutos, Alaba teve uma boa oportunidade, quando chutou de dentro da área do Real, mas a bola foi desviada pela zaga para escanteio. Era necessário para o Bayern balançar a rede logo, afinal, se já não é fácil fazer cinco gols em 45 minutos em uma semifinal de Champions, diante de um time aplicado como o Real, a missão era quase impossível.

Robben teve sua chance de abrir o placar, aos 12 minutos. O chute do holandês, plasticamente perfeito, com curva impecável, até pareceu que iria morrer dentro do gol, mas a bola foi para fora, para lamento dos torcedores que voltavam a gritar na Allianz Arena. Ribéry, outro de quem se esperava muito, não foi feliz na noite desta terça-feira. O francês só apareceu bem na partida uma vez, quando driblou dois na entrada da área, avançou e chutou fraco.

Götze substituiu Ribéry e quase fez o gol de honra aos 20 minutos, na primeira infiltração dentro da área com sucesso em troca de passes. Mas chutou por cima. Os torcedores começaram a desistir do Bayern e deixar o estádio aos 35 minutos. Estes devem ter ficados agradecidos por não precisarem assistir a mais um momento de gênio de Cristiano Ronaldo, quando o português cobrou falta por baixo da barreira, no canto de Neuer, marcou seu 16º gol e fechou o placar em 4 a 0.

Depois do apito final, os merengues vestiram a camisa com a inscrição: "Por la Décima", em alusão à busca pelo 10º título europeu. Recado direto para quem for enfrentar na final. O Real engrenou.



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