O Brasil terminou na primeira posição do quadro geral de medalhas dos Jogos Sul-Americanos, competição encerrada neste fim de semana, que contou com mais de 4 mil atletas em 60 modalidades, na Argentina. Foram 122 medalhas de ouro, 107 de prata e 83 de bronze, com 312 pódios no total. Os donos da casa ficaram em segundo com 81 ouros, seguidos da Colômbia, com 69.
A liderança no quadro geral com folga era uma obrigação da delegação brasileira, que levou algumas (não todas) as estrelas do esporte nacional. Alison dos Santos venceu os 400m rasos, Caio Bonfim foi o campeão da marcha atlética, Ana Marcela Cunha conquistou o título nas águas abertas, assim como Maria Clara Pacheco no taekwondo. O conjunto de ginástica rítmica, campeão mundial mês passado, participou com time completo e levou os três ouros em disputa.
Outro objetivo da delegação era conquistar o maior número de vagas possível para os Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima. E isso também foi alcançado em diversas modalidades, como saltos ornamentais, escalada, águas abertas, hipismo e atletismo.
O Sul-Americano também serve para atletas jovens terem a experiência de competir em eventos multi-esportivos, com vila de atletas e "clima de Jogos". Isso foi importante para nomes como Matheus Pessanha (levantamento de peso), Isabelle Esteves (tiro com arco), Gabriela Bouças (ginástica), Lucas Santos (canoagem), Matheus Melecchi (águas abertas) e Jeniffer Silva (remo), todos com medalhas conquistadas no evento.
Atletismo e natação, como um todo, cumpriram bem o papel para elevar o Brasil na liderança do quadro geral. A natação conquistou 29 ouros (54 no total) e o atletismo 14 (42). Neste tipo de competição, o foco está na medalha, não necessariamente nas marcas obtidas.
O judô é o esporte mais completo do Brasil na atualidade. Mesmo levando uma equipe C em várias categorias, a seleção conquistou 11 das 15 medalhas de ouro possíveis. Os titulares Ronald Lima e Nauana Silva foram campeões sem maiores problemas, assim como as jovens promessas Sarah Mendes e Rafaela Cavalcanti.
O boxe, com uma equipe quase completa, dominou o continente com seis medalhas de ouro. Bia Ferreira, machucada, e Rebeca Lima, que não teve a categoria em disputa no torneio, foram as ausências. Interessante o ouro de Haziel Franco, jovem nome da seleção feminina.
As condições de algumas modalidades, como canoagem slalom e remo costal, dificultam fazer qualquer avaliação. A canoagem slalom do Brasil ganhou quatro ouros, mas a competição foi disputada em águas calmas, não em corredeiras. O remo costal também levou três ouros, mas o evento deu medalhas com relação ao tempo das eliminatórias, já que não teve clima para a decisão.
Vôlei de praia, ginástica rítmica, badminton e polo aquático conquistaram todos os ouros possíveis, confirmando o status de potência. Na ginástica artística, o Brasil levou um time B, e teve como destaque a equipe masculina, campeã, e Gabriela Bouças, ouro na trave.
Algumas modalidades seguem sem conseguir se colocar entre as principais potências da América do Sul. Esgrima (dois ouros), tiro (um), ciclismo (um), remo (um), pentatlo (zero), wrestling (dois), nado artístico (zero) e saltos ornamentais (um) até conquistaram medalhas, mas distante do domínio continental. São esportes que ainda dependem de um ou outro nome para buscarem um brilho em termos mundiais.
O tênis de mesa, assim como muitos esportes, não levou todas as estrelas. Sem Hugo Calderano e Bruna Takahashi, o país sofreu. Apenas um ouro conquistado, por equipes no masculino, mas as mulheres viram domínio total das chilenas. Mesmo o time dos homens teve muita dificuldade, terminando fora das finais no individual e das duplas. É um esporte que ficou abaixo do esperado.
Resumo do Brasil nos Jogos Sul-Americanos 2026
- 312 medalhas (122 de ouro, 107 de prata e 83 de bronze)
- Natação obteve o maior número de medalhas (54)
- 77 atletas garantidos nos Jogos Pan-Americanos Lima 2027 (mais de 30 vagas)
- Invicto na ginástica rítmica, no polo aquático, no vôlei de praia, no judô e na canoagem slalom
Histórico do Brasil nos Jogos Sul-Americanos
O Brasil já terminou em primeiro lugar no quadro de medalhas quatro vezes: 2002, 2018, 2022 e 2026.
Antes disso, em 2022, em Assunção, no Paraguai, o país já havia ficado no topo com sobras: foram 133 ouros, 100 pratas e 86 bronzes. A Colômbia ficou em segundo, com 79 ouros.
Além das medalhas, a delegação brasileira também cresceu. Em 2018, o time Brasil contou com 318 atletas em 35 modalidades; em 2002, foram 464 representantes em 45 modalidades. E agora, chega ao recorde de 500 participantes, em 52 modalidades.
No quadro de geral de medalhas, a Argentina lidera com 1021 ouros, 913 pratas e 927 bronzes, totalizando 2861 medalhas. Logo atrás vem o Brasil, com 995 ouros, 807 pratas e 720 bronzes, somando 2522 medalhas no total.
As nações participantes foram: Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Curaçao, Equador, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
Os Jogos Sul-Americanos marcam o início da segunda metade do ciclo olímpico. A Olimpíada das Américas é um passo importante pensando nos Jogos Pan-Americanos do ano que vem. E o Brasil, apesar de alguns problemas, passou sem grandes problemas no teste.
Quadro de medalhas final dos jogos sul-americanos 2026: