Bicampeão mundial no lançamento de disco F52, para competidores em cadeira de rodas, André Rocha conquistou seu primeiro pódio em Paralimpíadas, a medalha de número 400 do Brasil na competição, ao faturar o bronze nos Jogos de Paris 2024 neste domingo. André ficou longe de sua melhor marca, mas garantiu o terceiro lugar com um lançamento de 19,48m. O italiano Rigivan Ganeshamoorthy, estreante em Jogos, ficou com o ouro ao pulverizar o antigo recorde mundial da classe, que pertencia ao brasileiro (23,80m), com um lançamento impressionante de 27,06m. O letão Aigars Apinis levou a prata com 20,62m.
O atletismo, que deu ao Brasil sua medalha de número 400, é a modalidade com mais pódios do país na história das Paralimpíadas, com um total de 181 (52 ouros, 71 pratas e 58 bronzes). A natação vem em segundo lugar, com 135 (43 ouros, 41 pratas e 51 bronzes), seguida do judô, com 25 (5 ouros, 9 pratas e 11 bronzes).
Primeira medalha paralímpica para André Rocha
O bronze de André neste domingo em Paris encorpa ainda mais um currículo já recheado de grandes conquistas internacionais, com destaque para as duas medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais, em Kobe 2024 e Londres 2017, e um bronze, conquistado no Mundial de Paris 2023.
Ex-policial militar, André sofreu uma queda de um muro durante uma perseguição em 2005 e teve uma grave lesão na coluna, tornando-se tetraplégico mais tarde. O atleta de Taubaté conheceu o esporte paralímpico em 2013 e desde então coleciona resultados expressivos em competições globais.
Na decisão em Paris, André não encontrou seus melhores lançamentos. Fez 18,73m, 17,76m, 19,48m, 18,04m e 15,76m, mas mesmo sem atingir os 20 metros se segurou entre os três primeiros. Rigivan Ganeshamoorthy, que passou pelo basquete e na esgrima em cadeira de rodas antes de iniciar o atletismo, surpreendeu fazendo todos os lançamentos acima dos 20 metros (25,48m, 25,80m, 27,06m, 22,10m e 24,10m) para faturar o ouro, numa estreia de gala.
A medalha veio com emoção extra: quinto atleta a entrar em ação na final, André alcançou a terceira posição e precisou esperar os outros cinco competidores terminarem seus lançamentos para comemorar.
Quando o bronze parecia confirmado, o grego Grigorios Ntislis, que havia sido desclassificado, voltou à prova após recurso. Último a lançar, ele não conseguiu superar o brasileiro.
- Estou feliz demais. Sei que treinei para fazer mais, poderia ser uma prata, mas não saiu. Hoje não encaixei um bom lançamento, meus adversários foram melhores. Mas estou feliz demais, mais uma medalha pra o Brasil - comemorou André, de 47 anos.
Alan Fonteles vai à final no retorno aos Jogos
A disputa da classificatória dos 100m T64 (amputados de membros inferiores com prótese) foi marcada pelo retorno de Alan Fonteles aos Jogos Paralímpicos. Medalhista de ouro nos 200m em Londres 2012, o brasileiro voltou a obter bons desempenhos após um longo hiato e garantiu uma vaga na final dos 100m com o tempo de 11s22. Ele ficou com a última vaga por tempo em uma bateria que teve quebra de recorde mundial - o italiano Maxcel Manu venceu a série por 10s69. A final acontece nesta segunda-feira.
Vinícius Rodrigues também avança
O paranaense Vinícius Rodrigues avançou à final dos 100m da classe T63 (amputados de membros inferiores com prótese) com o tempo de 12s24, sua melhor marca na temporada. Ele se classificou com o sexto tempo geral da prova. A final também acontece nesta segunda-feira.
Outros resultados do Brasil neste domingo
No início da sessão da tarde no Stade de France, Matheus de Lima sentiu dores e acabou ficando em último na final dos 100m da classe T44, para atletas com deficiência nos membros inferiores sem a utilização de prótese, com o tempo de 12s15. O ouro ficou com sul-africano Mpumelelo Mhlongo, com 11s12, a prata foi para o cubano Yamel Luis Suares, com 11s20, e Eddy Bernard, da Malásia, completou o pódio com 11s58. Foi a estreia em Paralimpíadas do velocista de 20 anos, que nasceu com uma má-formação no pé esquerdo e conheceu o atletismo paralímpico em 2016.
Outros resultados do Brasil neste domingo
No início da sessão da tarde no Stade de France, Matheus de Lima sentiu dores e acabou ficando em último na final dos 100m da classe T44, para atletas com deficiência nos membros inferiores sem a utilização de prótese, com o tempo de 12s15. O ouro ficou com sul-africano Mpumelelo Mhlongo, com 11s12, a prata foi para o cubano Yamel Luis Suares, com 11s20, e Eddy Bernard, da Malásia, completou o pódio com 11s58. Foi a estreia em Paralimpíadas do velocista de 20 anos, que nasceu com uma má-formação no pé esquerdo e conheceu o atletismo paralímpico em 2016.
Nos 400m T53, para competidores em cadeira de rodas, Ariosvaldo Fernandes, o Parré, acabou em oitavo lugar na final deste domingo. Especialista na prova dos 100m, o veterano de 47 anos não conseguiu acompanhar os líderes da prova e fechou em último com 52s42. O tailandês Pongsakorn Paeyo ficou com o ouro com 46s77, seguido pelo canadense Brent Lakatos, prata com 47s24, e o americano Brian Siemann, bronze com 47s84. Parré voltará à pista do Stade de France na quarta-feira para a disputa dos 100m.
- Infelizmente hoje em dia o Brasil está ficando para trás na questão do equipamento, não está no nível do material que estão usando, o carbono. Acredito que isso esteja fazendo a diferença - disse o brasileiro, que compete com uma cadeira de fabricação própria. - A minha é uma cadeira fabricada por mim, graças à minha experiência consegui desenvolver uma cadeira e ela chegou a mais uma final. Agora é focar na minha prova alvo, dos 100m. Nela o equipamento vai fazer menos diferença.
Mais cedo, na sessão da manhã, o Brasil disputou a final dos 200m T36 com Samira Brito, sexta colocada, e Verônica Hipólito, sétima, que se emocionou ao falar sobre seu desempenho. A chinesa Shi Yiting foi campeã com 27s50, seguida pela neozelandesa Danielle Aitchison (27s64) e pela australiana Mali Lovell (29s82).
Parabéns aos atletas pelas conquistas!!!!
Fonte: globoesporte.com
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